Por Ronaldo Pelli - G1 (Rio)
Se o espectador pudesse tirar todas as muitas piadas bobas de cunho sexual e escatológicas e deixar apenas as que abordam sem dó nem piedade a relação entre judeus e muçulmanos e a política americana, “Zohan – O Agente Bom de Corte” seria uma comédia memorável. O problema é que, enquanto as primeiras abundam – sem trocadilho - as segundas são raras como água no deserto.
O longa, que estréia nesta sexta-feira (15), mostra a história de Zohan Dvir (Adam Sandler), um agente super-especial do exército israelense, que sempre é chamado para prender terroristas árabes. Entretanto, ele acha que essa guerra não tem sentido e quer mesmo é ser cabeleireiro. Um personagem mais que exagerado, que adora os extremos, perfeito para Sandler – que assina também o roteiro, junto com Robert Smigel e Judd Apatow, que já fizeram de “O Virgem de 40 Anos” à série “Saturday Night Live”.
Claro que os pais de Zohan não querem ver seu filho – grosseiro, bruto, sexista – fazendo coisas de “gayzim”, como dizem. O super-agente, porém, não larga tão facilmente o sonho de empunhar tesoura e secador. Escalado para capturar o perigoso Fantasma (John Turturro, que depois de ser russo, latino, italiano, é árabe agora), ele simula a própria morte e parte para os EUA, “para realizar o seu sonho”. Continue Lendo…
Adam Sandler falou sobre seu novo filme You Don’t Mess with the Zohan com o The Press and Journal, do Reino Unido, e mencionou Mariah durante essa recente entrevista:
Ela foi ótima, ótima garota. Eu conheci Mariah um tempo atrás no Saturday Night Live. Então quando escrevemos o script original, pensamos que a única coisa legal que Israelenses e Palestinos poderiam concordar que Mariah Carey é gostosa. Durante o set de filmagem, ela trabalhou duro e eu ouvi o novo cd dele inteiro. Eu estava na sala quando estava decidindo qual das músicas seria o primeiro single.
Fonte: The Press and Journal UK / MariahDaily
O novo filme de Adam Sandler, “Zohan, O Agente Bom de Corte” tem previsão de estréia para meados deste mês aqui no Brasil. Mas, como estamos numa nova era de consumo cultural, podemos ter acesso ao filme antes que o estúdio o libere. Basta ir a algum blog especializado nisso ou baixar via rede P2P, e pimba, em algumas horas o teremos em nossos computadores.
E foi isso que fiz. Baixei e vi. E para ser bem sincero, detestei. Para qualquer lamb, o que valeria mesmo é a atuação (perturbadíssima) de Mariah, as camisetas com estampas da cantora que o personagem principal desfila enquanto persegue palestinos e as duas faixas (“Fantasy” e “I’ll Be Lovin’ U Long Time”) que dão o ar da graça. Pronto, tirando isso, não sobra nada que possa arrancar alguma risada espontânea.
A película é repleta de clichês, preconceitos escondidos num humor tosco e lutas estranhas. Zohan é um agente da polícia israelense que sonha em ser cabeleireiro; um dia, ele simula sua morte e vai pra Nova Iorque lutar pelos seus sonhos. Lá, se apaixona e mostra que dois povos podem conviver pacificamente (mesmo com o exército de Israel não respeitando nenhum direito humano da comunidade Palestina).
Mariah Carey entra como a diva inspiradora do personagem de Adam, canta um trecho do hino americano num jogo entre Israel e Líbano e se mostra uma perfeita burra no camarim. Todos os preconceitos que fazem sobre a imagem da cantora são reafirmados na produção. Das duas uma: ou Mariah é muito inteligente em tirar com sua própria cara; ou é muito tapada que não percebeu a ironia.
Porém, a figura de linguagem que mais se ajusta a minha opinião acerca de “Zohan” é o paradoxo. Tudo para ser um ótimo filme, mas que transformou-se em uma estúpida comédia dispensável para qualquer etnia.
Por: André Pacheco
"I'll Be Lovin' U Long Time" é o terceiro single do disco "e=MC²". A faixa foi produzida por Mariah em parceria com Aldrin "DJ Toomp" Davis.
Billboard Hot 100 Singles#75
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