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Entrevista para a “Interview”

  • Categoria(s): Entrevistas
  • Publicado por Nadia, em 29.08.07 às 17:05

Durante todos os seus altos e baixos, ela foi chamada de várias coisas: uma ingênua, uma diva, alguém que já era, a rainha do retorno. Mas agora é o momento para uma história diferente e mais humana emergir. Aqui, ela abre sua casa – e seu coração – como nunca antes, abrindo sua alma sobre as notas altas, as notas baixas, e a corda bamba de ser Mariah Carey.

INGRID SISCHY: Então esse é o desafio. Sua história dramática - a jornada de uma jovem em uma escola de beleza que tinha grandes sonhos à estrela de pop casada com um poderoso da indústria da música à dissolução de tudo isso e um novo começo - não é, exatamente, desconhecida. Mas você está agora em ainda mais um estágio de sua vida mítica e minha suspeita é que a história de Mariah seja ainda mais interessante e reveladora do que conhecemos até hoje. E é por isso que estou sentada aqui na sua casa em New York City à meia-noite de uma noite de domingo de verão, com a vista do prédio da Chrysler e tudo, com meu gravador pronto para registrar tudo. Eu sei que você está na concepção do trabalho no seu novo álbum, esperado para o final desse ano. Uma vez que você está tão envolvida no processo de composição, pensei que talvez pudesse ser um bom momento para examinar sua vida com você. Vamos começar do início.
MARIAH CAREY: Existem muitos inícios, embora ninguém tenha contado de forma que refletisse assim. Eles sempre dizem: “Ela apareceu com seu primeiro single quando tinha 20 anos, ou ela conseguiu um contrato de gravação quando tinha 18, ou ela era cantora do coro de Brenda K. Starr, ou ela conheceu Tommy Mottola [antes CEO e presidente da Sony Music e ex-marido de Carey] em uma festa e entregou a ele uma fita demo” - o que, na verdade, é inacurado, porque foi Brenda quem entregou a fita a ele..

IS: A história conta que ele foi embora da festa, ouviu a fita, e, então, voltou à festa para te encontrar.
MC: Ele voltou à festa, mas eu já tinha saído. Quando conheci Tommy, não sabia quem ele era - ele apenas olhava para mim perguntando: “Brenda, quem é a sua amiga?” Eu estava vestindo uma pequena jaqueta de Avirex de líder de torcida, sapatos baixos - e todos que me conhecem, sabem que nunca uso sapatos baixos hoje em dia - mas eu não tinha escolha na época, porque não tinha dinheiro. [risos] Meu irmão [Morgan] comprou um par de tênis para mim, mas eles eram brancos e de cano longo, o que não ficava exatamente bem como um vestidinho preto e a jaqueta.

IS: Entretando, esse é, na verdade, o segundo capítulo da sua história.
MC: O início mesmo começa como meus avós, se você realmente quer começar a partir daí. Então eu deveria te levar para conhecer a casa e te mostrar as fotos, porque assim você compreenderá melhor. A razão por que as pessoas precisam ver as fotos é que elas têm dificuldade em compreender quem eu sou em termos de etnia. Acho que isso acontece, porque na sociedade tudo é motivado pelo o que nossos olhos nos dizem.

IS: Eu adorarei conhecer a casa daqui a pouco. Mas vamos ficar sentadas aqui um pouco mais para ficar mais confortáveis.
MC: O gravador que você está usando agora me lembra meu pai, porque ele tinha um gravador de uns 30 anos atrás também. Ele não se desfez dele apesar de no trabalho dele, ele ter acesso a todo esse tipo dispositivo [de alta tecnologia]. Eu sou muito incapaz tecnologicamente e isso é ridículo, é muito ruim e negligente da minha parte que eu não seja capaz de mexer com essas coisas, mas gosto de mexer com coisas que entendo. Quem quer passar 20 horas tentando descobrir como usar um novo dispositivo, quando você já poderia ter escrito uma página inteira nesse tempo? Mas estou usando muito meu BlackBerry. Honestamente, ele toma muito do meu louco tempo.

IS: Você tem tempo para apreciar outras coisas? Como arte?
MC: Eu possuo muito poucas obras de arte e sei que a razão é porque preciso estar apaixonada pelo que tenho ao meu redor. A questão é, eu sei que a obra de arte que eu gostaria de ter custaria um zilhão de dólares - porque foi assim a minha vida inteira. Quem diabos disse que sou a A Princesa e o Grão de Ervilha? [Sischy ri] Eu não sei por que tudo o que eu gosto tem que ser o mais caro granito que era o piso antigo de alguém na França. Por alguma razão eu sempre sou atraída em direção a essas coisas.

IS: A pergunta dos milhões de dólares: O que você acha que teria acontecido se você nunca tivesse conhecido Tommy Mottola?
MC: Eu já tinha um contrato com a Warner Bros. que estava pendente. Era através de Ben Marguiles, com quem compus a maior parte do meu primeiro álbum - a maior parte disso aconteceu quando eu ainda estava no colégio. Eu costumava trabalhar no estúdio dele, que era [nos fundos de um galpão e era coberto por pedacinhos de madeira] e eu compus “Vision of Love” lá, músicas que se tornaram sucessos número um que eu não escuto mais. “Someday” foi número um - eu a compus e a gravei lá. E uma música pela qual [me ofereceram] um contrato de publicação chamada “All In Your Mind” - que estava no meu primeiro álbum [Mariah Carey de 1990]. [Alguém de outra gravadora] disse: “Nós te daremos $5.000 por ela!”

IS: Mas você sabia o suficiente para não aceitar.
MC: Sim, mas para mim cinco dólares era muito porque eu pensava “Bem, eu posso comprar um suco com um dólar, ou posso pegar o metrô, ou posso comer um bagel no H&H”. Eu tinha o orçamento muito apertado.

IS: Você foi garçonete, não foi?
MC: Eu não podia trabalhar realmente como garçonete por causa da questão da idade e servir bebidas alcoólicas, mas eles tiveram pena de mim e permitiram que eu servisse em um bar esportivo onde eu trabalhava. Mas, na verdade, o que eu fazia era vender camisetas. Eles pensaram: “Ok, vamos deixá-la usar um jeans apertado, uma camiseta com o nome do bar esportivo e ficar lá sentada dizendo [com uma voz ingênua e sensual], ‘Olá, quer comprar uma camiseta?’”. Foi por isso que quando fui lançada para o público pela primeira vez, queriam que eu fosse conhecida pela voz e não pelo corpo ou aparência - não que eu fosse linda naquela época. Mas o ponto é, eu poderia ter feito isso [ser conhecida pela aparência] se eles tivessem decidido assim. Basicamente, eu era do mesmo jeito como estava na noite em que conheci Tommy, com o meu cabelo enrolado natural.

IS: Você era uma boa garçonete?
MC: Eu não podia trabalhar na caixa registradora e eu trabalhando na chapelaria… deu certo, mas eles não nos deixavam ficar com nossas gorjetas, as quais eu às vezes roubava. Eu me sinto mal por isso agora, mas, você sabe, era uma gorjeta! O que você vai fazer?

IS: Gorjetas era para ser supostamente suas.
MC: E eles terminaram me despedindo. Mas eu trabalhei em muitos lugares diferentes, entretanto. Eu trabalhei no Central Park, no restaurante Boathouse, e vi algumas das pessoas com quem trabalhei por anos. Eles diziam: “Eu me lembro de você, lembra-se quando trabalhamos juntos?” E eu respondia: “Sim, eu era aquela com os fones no ouvido o tempo todo, escrevendo músicas.”

IS: E como você deixou isso tudo por um trabalho como cantora?
MC: Eu consegui um emprego como cantora de coro porque eu era uma daquelas garotas da turma do Lenny Kravitz. A banda dele acabou me ajudando porque me apresentou a Brenda. Eu tinha fita demo, Brenda a ouviu e a tocou para várias pessoas de gravadoras, e uma pessoa disse que eu parecia muito branca para ter aquela voz. Outra pessoa disse: “Nós queremos que seja um pouco mais parecido com aquela menina Debbie Gibson que fez sucesso alguns anos atrás”. Era sempre: “Você é muito nova; você é muito clara; você é muito negra…” Eu era essa criatura nebulosa que ninguém compreendia, mas eles podiam ouvir a voz e, além disso, essas pessoas responsáveis por encontrar novos talentos não tinham o poder real de tomar uma decisão.

IS: Você dá crédito ao seu irmão, Morgan, por ter te ajudado no início da sua carreira. Eu me lembro que ele era um personal trainer conhecido. Bruce Weber, que te fotografou para essa reportagem, disse que trabalhou com ele também e riu porque Morgan tinha muito mais clientes bem sucedidos.
MC: Sim. Ele pagou a minha primeira fita demo - uns $5.000. Eu sou muito grata a Morgan; ele sempre acreditou em mim. Como personal trainer, ele trabalhou com muitas pessoas da indústria musical, incluindo um cara chamado Gavin Christopher que compunha para Chaka Khan - ele é um grande compositor. Morgan sempre dizia a todo mundo: “Minha irmãzinha será uma estrela.” Eu canto desde que comecei a falar. Minha mãe [Patricia Carey] era cantora de ópera - ela estudou na Julliard.

IS: Ela é irlandesa, certo?
MC: Ela é a terceira geração irlando-americana. Ela vivia uma vida “de casinha com cercas brancas” em Springsfield, Illinois, e estudou em escola católica. Mas a mãe dela [Ann] criou três crianças sem marido em casa, porque o pai dela faleceu um mês ou dois antes dela nascer.

IS: E sua mãe encontrou seu pai em New York?
MC: Ela conheceu meu pai porque ela estava perseguindo Yul Brynner - ela e a amiga dela moravam no Brooklyn Heights naquela época. Eu acredito que Yul Brynner também morava no Brooklyn Heights ou foi visto na vizinhança. Minha mãe e as amigas estavam tentando encontrar estrelas. Meu pai tinha servido o exército, então estava com a cabeça raspada, e ele tinha um Porsche antigo que ele dirigia pelo Brooklyn. Ele era negro, mas tinha a pele mais clara, e elas pensaram que ele era Yul Brynner. Mas uma das garotas que estava com ela disse: “Não é ninguém, é só o Roy Carey.” [Sischy ri] O nome dele real era Alfred Roy [mas ele geralmente usava Roy].

IS: Vamos fazer o passeio pela casa.
MC: Ok, vamos migrar.

IS: Eu quero ver tudo. [Parando para observar um arranjo floral] Essas flores são lindas.
MC: Alguém comprou um lindo arranjo de flores para mim. Era de verdade, mas não valia a pena trocar as flores o tempo todo, então me fizeram cópias de seda.

IS: [Parando em um dos quartos do passeio] Oh, olhe aqui…
MC: [Apontando para as fotos] Essas são as irmãs do meu pai e eu. Elas são meio-irmãs dele por parte de pai e essa é a mãe delas, Vovó Ruby - ela ainda está viva… Esse é o meu avô, ele é quem é parte venezuelano… Esse é meu pai e esse é Shawn [filho da minha irmã Alison], eles são muito parecidos. [Carey olha para o piano na sala] E aquele é o piano de–

IS: –Marilyn. Eu gosto que tenha um cordão de isolamento ao redor dele.
MC: Foi idéia de Mario Buatta [decorador de Carey]. Eu comprei o piano quando eles fizeram o leilão na Christie’s. Eu manti tudo da mesma forma. Não queria mudá-lo. Está até mesmo desafinado. [Carey toca algumas notas]

IS: E quebrado também.
MC: Os pés contam toda a história. [Voltando as fotos] Esse é meu pai, parecendo Harry Belafonte, com Vovó Addie, mãe dele. O nome dela de solteira é Cole e como ela é do Alabama como a família de Natalie Cole, achamos que podemos ser parentes. E esse é meu pai anos depois, jogando basquete. Essa é minha Vovó Addie com meu pai, quando ele era pequeno.

IS: Olhe o casaco da sua avó. Cheio de estilo.
MC: Sim, minha avó era muito cuidadosa com suas roupas. E esse é o meu pai no Harlem. Ele cresceu no Harlem e no Bronx.

IS: O que a família da sua mãe disse quando ela contou sobre ele?
MC: Oh, eles a repudiaram imediatamente. [Virando para outra foto] Essa é minha mãe, a cantora de ópera. Você pode ver que existe uma intensidade aí! Claramente estou no meio - nenhum de nós se parece exatamente. E esse é meu avô por parte de pai. Ele é meio negro e, eu acredito, meio venezuelano. Mas ele não falava espanhol. Ele venho para cá quando era muito jovem, por isso esqueceu tudo. Mas você consegue ver que ele é latino. Eu acho que ele é quem tem o genes fortes, porque meu irmão e todos nós paracemos com ele… E essa sou eu tentando ser Annie com uma peruca preta - e me perguntava por eu não era igual. Eles diziam que eu era muito alta… Olhando essas fotos, alguém que conheço disse: “Oh, você realmente é negra.” Eu pensei: “Quando eles vão entender?”… [Sischy e Carey continuam o passeio] Esse é o meu quarto sereia. É muito louco, mas eu amo o oceano. E também é a sala de vídeo, então podemos ver filmes aqui. Eu coloco meu aparelho de ginástica aqui também, porque agora o minha malhação está sendo monopolizada pelo meu estúdio. Se preciso malhar, tenho que focar em alguma coisa, então eu posso assistir um filme. Eu adoro essa sala - nós fazemos festas aqui; tipo festa do pijama.

IS: Tem um aquário enorme? Sim, com certeza. E o que é essa coisa que parece canos de sucção vivos?
MC: Eles são um tipo de coral. Eu queria que tudo aí estivesse vivo, [para parecer] como se você realmente estivesse no oceano - esse foi o meu pedido. Eu comecei a ver essas coisas quando mergulhava com snorkel, então quis que esse aquário me passasse a mesma sensação. É extravagante - eu sei que essa sala é meio diferente. O pessoal adora ficar conversando aqui e assistir filmes.

IS: Essa sala me faz lembrar a Hollywood de antigamento, é muito luxuosa. As almofadas parecem bolas de boliche.
MC: Sim, mas quando você deita nelas, elas são muito macias. Mario Buatta não seguiu o estilo Mario - ele seguiu o meu. Está por aí, mas ainda sou eu.

IS: [o passeio continua] E o que é isso?
MC: São todos porta-jóias antigos que Mario transformou em porta-troféus. Esse é o prêmio Aretha Franklin do Soul Train; esse é o prêmio Quincy Jones; esses são todos prêmios Soul Train Music Awards; esses são World Music Awards; esses são Vibe Awards; esses são Grammys… Esses são NAACP [Image Awards]. E esses são os Billboard Awards, e esse é outro prêmio BMI. Só hoje é que percebi que tenho muitos desses prêmios BMI e eu nem mesmo tinha idéia disso, porque eles estavam guardados. Esse é por “We Belong Together.” É pesado - sinta. E esse é o meu auto-retrato quando eu era pequena. [Carey e Sischy lêem juntas] “Eu, eu sou Mariah” — [Carey ri] … Aqui é o banheiro Marilyn.

IS: Eu não sabia o quanto Marilyn é importante na sua vida.
MC: É engraçado, porque as pessoas sempre dizem: “Nós queremos fazer algo realmente novo com você”, e então eles me trazem fronhas de Marilyn. Um dos primeiros filmes que assisti foi [cantando] “A kiss on the hand may be…” –Diamonds Are a Girl’s Best Friend [1953]. Minha mãe era uma grande fã… Que seja, esse é o meu estúdio aqui atrás. Essas são as minhas caixas de transporte cor de rosa. Eles tentaram me impedir de mandar fazê-las…

IS: Mas você claramente venceu… Agora o que nós temos aqui? Esse banheiro é uma verdadeira–
MC: Verdadeira insanidade. E eu adoro essa foto de Marilyn.

IS: Mais Marilyn. Por que você acha que adora Marilyn?
MC: [suspiros] Ela era fabulosamente festiva, e linda, e engraçada, e ela tinha aquele ar sofisticado sendo propositalmente artificial. Existe uma tristeza porque ela passou por isso e eu acho que isso tem a ver comigo. Eu acho que ela foi levada a isso porque ela queria ser quem ela era… E esse é a minha sala de canto - feche esse porta e você não vai ouvir nada.

RACHEL McINTOSH [amiga/braço direito/soldado de Mariah, quem veio e foi durante o passeio, saindo de vez em quando para verificar coisas em outros lugares do apartamento]: Eu vou gritar! [ela sai da sala]
MC: [fechando a porta] Ok, grite! Você ouve alguma coisa? Não.

IS: [O grupo continua indo de sala em sala e então, Ingrid pára.] O que é isso, seu próprio salão de beleza?
MC: Sim, esse é o nosso salãozinho.

IS: É um salão de verdade.
MC: [ri] Eu tenho $500, então acho que podemos lavar e secar no secador agora? E aqui é a minha foto favorita de Addie, minha avó. Qualquer um que diga que essas não são minhas bochechas verdadeiras ou alguma outra insanidade do tipo precisa ver essa foto.

IS: É aqui onde você faz o cabelo?
MC: Eu faço de tudo aqui.
IS: O cheiro é bom aqui.
MC: Talvez seja o novo perfume.

IS: É bom. O que tem nele? E por que você quis fazer um perfume?
MC: Eu achei que era um conceito legal. Eu nunca usei muito perfume, mas eu quis fazer algo leve, que não fosse intrusivo, e a nota de saída nele [contem] marshmallows tostados. Isso me lembra a minha infância. Estou enternamente nos 12 anos, então a nota marshmallow tostado era necessária. E ela evoca certas lembranças para mim. [A nota de corpo contem] aquela flor do Tahiti [no sul do Pacífico] que eles te dão quando você vai embora. É como uma música. [E a nota de fundo contem] um incenso das ruas do Marrocos que eu adoro - essa é a nota de fundo. Eu não sabia que teria todas essas notas. Eu gosto de espirrar e andar, porque assim você consegue uma boa pshhhhhhhhhhhhhhh.

IS: Nós saímos do salão de beleza e estamos agora em um lugar que parece uma boutique. E todas essas araras vermelhas de roupas.
MC: Essas são minhas araras de roupas Louis Vuitton que nem usei ainda, por que todos falam: “Você vai bagunçar tudo.” E eu: “Bem, então pra que tê-las?”

[Depois andar mais por esse lugar único, que é um momumento à viver bem, o grupo chega a um quarto que passa uma sensação de serenidade. Nela, existe uma lareira feita de cerejeira - com cruzes, um coração e uma borboleta - que foi originalmente feita para a casa que Carey dividia com Mottola em Bedford, New York.]

IS: Agora, onde estamos?
MC: Aqui é o quarto que eu queria te mostrar, Ingrid. É o menor quarto, mas ele não foi terminado até que meu pai falecesse… Aqui é a minha parede de explicação. Essa é minha bisavó - o nome dela era Emma Cutright, mas eles a chamavam Mãe Cutright. Isso é no Alabama, do lado de fora da igreja. E essa
minha mãe nos anos 60. E essa é a mãe da minha mãe [Ann] - e minha bisavó. Você olha é a coisa como um todo é muito eclética, é bizarro. Essa é a minha prima Lavinia quando era pequena. E essa é a minha tia por lado de mãe. Essa é a minha mãe aos 16 anos. E essa sou eu quando era pequena em uma viagem com o meu pai no verão. Essa foi de quando eu estava em peça quando tinha 11 anos e, eu nunca vou me esquecer disso, ele me deu margaridas e um cartão, e subiu no palco. Depois que ele pagou para eu ir a um acampamento de artes performáticas por um ano; o namorado da minha mãe pagou outro ano, embora metade disso tenha sido de disciplinas escolares.

IS: Você já dormiu nesse quarto?
MC: Eu acho que talvez no dia do funeral do meu pai eu dormi aqui… Isso aqui são coisas antigas do meu pai. Eu descobri que ele guardou esses cartões meus de quando eu era criança. Significou muito para mim que ele tenha se preocupado em guardá-los, porque isso foi antes do estrelato. Ele é uma das poucas pessoas para quem não importava se eu era uma estrela, o que realmente significa muito para mim.

IS: Você ficou com a sua mãe depois que seus pais se divorciaram. Como eram as coisas com o seu pai?
MC: Porque meus pais se divorciaram de forma triste, feia, a situação do apoio às crianças não era assim tão boa. Mas meu pai e eu aprendemos como expressar nos sentimentos um pelo outro e nosso relacionamento ficou muito melhor perto do fim da vida dele. Eu sou muito grata por isso. Essa é a razão de eu todas essas fotos - ele as deixou para mim, porque ele sabia que eu me importava. [o passeio continua] Nós mostramos o quarto borboleta?

IS: Existe um quarto borboleta? Eu quero vê-lo.
MC: Era 1997 e eu estava deixando meu casamento [com Tommy Mottla], o que envolvia minha vida. Eu estava escrevendo a música “Butterfly” [Borboleta], desejando que aquilo seria o que diria para mim. Tem uma parte que é: “Eu aprendi que a beleza/tem que florecer na luz/cavalos selvagens correm livres/ou seus espíritos morrem/você me deu coragem/para ser tudo o que posso ser/e eu verdadeiramente sinto… [cantando] e eu verdadeiramente sinto que seu coração a guiará de volta para mim quando estiver pronta para pousar.” Eu naquele ponto, eu realmente acreditava que eu voltaria para o casamento - eu não pensei que iria embora para sempre. Mas então as coisas que me aconteceram durante aquela época, me levaram a não voltar. Teria que ser: “Vá seja você mesma, você esteve comigo desde que era uma criança, vamos nos separar por um tempo”, eu provavelmente teria voltado.

IS: Então desde que você compôs “Butterfly” [Borboleta], essa criatura passou a ser um ícone na sua vida?
MC: Antes disso nós iamos a lugares e, de repente, borboletas começaram a pousar no meu ombro.

IS: Então seus fãs sabem que você tem algo real com borboletas?
MC: Se eles forem fãs de verdade, eles sabem. E eles entendem a coisa com girrassol também, o que tem a ver com o meu pai. Eu compus uma música chamada “Sunflowers for Alfred Roy” [Girassóis para Alfred Roy] para o meu pai depois que ele faleceu. Quando ele estava no hospital, girrassóis eram as únicas flores que ele tolerava, por causa das alergias dele. Ele tinha câncer e o câncer afetou tudo. Essas pessoas realmente sabem disso.

IS: Como você se sente ao ver o quanto eles se importam?
MC: Eu me sinto ótima. É por isso que eu guardo as coisas que eles fazem. Muitas vezes, eles são muito engraçados.

IS: Geralmente quando fãs dão algo às pessoas, elas apenas jogam fora.
MC: Se alguém gastou seu tempo para fazer isso, eu sinto que tenho que guardá-lo.

IS: O quarto borboleta é também onde você guarda os presentes dos fãs?
MC: Sim e também é o quarto de hóspedes. Eu não queria fazer um quarto de hóspedes muito elaborado, porque, exceto pela Rachel, eu não quero que as pessoas se sintam confostáveis demais.

IS: Às vezes eu entrevisto pessoas que dizem que têm medo de seus fãs.
MC: Não, apenas quando tipo [eles escrevem coisas assustadoras em suas cartas]. Oh, olhe, esse me mandou receitas. Não que eu possa comer todas essas coisas. [risos] Waffles com calda de chocolate; isso não me levará a lugar nenhum. Eu acho ótimo que eles tenham gastado seu tempo fazendo essas coisas. E por que não ter um pequeno quarto devotado a isso? Oh, esse é um Diário de Maldades do filme Garotas Malvadas [2004], os fãs o fizeram só com celebridades.

IS: [lendo] “Jennifer Lopes é uma vadia horrorosa que não consegue cantar.”
MC: Mas não fui eu quem escreveu isso!

IS: [lendo mais coisas escritas pelos fãs] “Eminem é quase gay demais para ter um relacionamento.” [risos] “50 Cent é um rato com esteróides.”… [risos]
R: Esses fãs são hilários.
MC: Eu tenho alguns Diários de Maldades diferentes que eles fizeram para mim, mas penso: “Oh, não, estou encorajando a negatividade”. Mas por favor não deixe ninguém pensar que eu disse essas coisas.

IS: Ficará muito claro que são os fãs e não, Mimi.
MC: Espere - preciso te mostrar esse quarto.

[Elas vão para um quarto que parece e passa a sensação de que estamos em nuvens.]

IS: Esse é um dos quartos mais loucos que já vi - há uma cama nesse quarto de vapor.
MC: É para a minha garganta. Faz bem para a minha garganta se eu dormir aqui, por causa do vapor - é um colchão d’água coberto com tecido toalha para que nada seja destruído pelo vapor.

IS: E você dorme aqui algumas noites?
MC: Eu durmo aqui por umas três horas e então vou para o meu quarto. Luther Vandross foi quem me falou sobre a umidade ser boa para a voz, para pele e para tudo mais.

[Finalmente Carey e Sischy vão para a cozinha, onde elas sentam à mesa com o sobrinho de Mariah, Shawn, e Mike, que estão conversando e beliscando comida encomendada de um restaurante brasileiro. De vez em quando, outros aparecem, como Rachel.]

IS: A propósito, só para registrar, são 3:30 da manhã - isso é normal?
MC: Sim, nós somos todos criaturas noturnas aqui.

IS: Vamos falar sobre sua vida de casada, quando você vivia com Tommy em Bedford.
MC: Foi como a minha segunda infância lá. Nós todos eramos crianças na mesa. E se nós rissemos muito de alguma coisa, era um problema.

IS: Quem era o adulto da mesa?
[silêncio]
IS: Ninguém?
MC: Bem, definitivamente havia uma pessoa!

IS: Isso tudo soa como um daqueles contos de fadas onde a mocinha era mantida presa em um castelo. Alguns anos depois que você partiu, você acabou fazendo seu álbum Emancipation of Mimi [Emancipação de Mimi] [2005], o tão chamado “grande retorno”, mas me conte sobre a época mais próxima do seu pulo para a liberdade. Você sabia que iria partir? Você planejou isso?
MC: Bem, algo aconteceu que me fez resolver partir… Sou uma pessoa muito tolerante e muito amável, mas se alguém fizer algo para mim que seja demais, não tenho problemas em cortá-los completamente da minha vida - em certo ponto, algumas coisas foram demais para agüentar. Esse ponto aconteceu.

IS: Você apenas pegou o carro e foi embora?
MC: Eu costumava dirigir naquela época, mas eu não peguei o carro, porque eu não tinha o comprado - eu não queria pegar nada que eu não tivesse levado comigo, embora eu tenha pago a metade de tudo. [Antes da construção] nós fomos à propriedade em Bedford juntos e Tommy disse: “Eu quero construir uma casa aqui”, e eu disse: “Se nós vamos construir, quero contribuir com a metade”. Minha mãe nunca teve nada que fosse dela e eu não queria ser uma mulher que pudesse ser expulsa de casa a qualquer momento, então eu queria ser a dona também. Todas essas pessoas que sentem que eu era quem eu era apenas por causa dele nunca podem dizer que eu não contribui.

[Depois de mais conversa, Carey e Sischy resolvem subir as escadas e ir para o lado de fora, no terraço.]

MC: Oooh, está ventando muito - está bom para você aqui fora?
IS: Para mim está bom e para você?
MC: Está bom. Eu adoro ficar do lado de fora; eu me sinto livre.
IS: Falando nisso - qual foi o último álbum que você fez pela Sony enquanto esteve lá?
MC: Foi Rainbow [1999]. Eu o fiz em três meses, tipo “Deixem me sair dessa gravadora!”, eu não podia suportar.

IS: Quais são os seus sentimentos por Tommy Mottola hoje em dia?
MC: Sou grata a ele de muitas formas. Eu tento não torná-lo em vilão. Tenho que perdoá-lo por ter sido tão restritivo. Eu o compreendo por não querer que eu saísse e ficasse fora a noite inteira, mas ter me deixado ir a um spa com amigas de vez em quando, ou fazer as coisas sozinha, teria feito toda a diferença. E eu provavelmente ainda estaria com ele se tivesse feito. Talvez fosse para o meu próprio bem que eu não era “permitida” a fazer essas coisas, mas era assim que eu me sentia. Parecia que de repente eu tinha um pai rigoroso. Meu pai era um homem muito rigoroso, mas eu não cresci com ele. Com Tommy, parecia que eu vivia nessa situação controladora, onde não permitiam que eu fosse eu mesma. Essa conversa que estamos tento agora jamais aconteceria.

IS: O que você diria que foi a melhor coisa do seu relacionamento com Tommy?
MC: Você sabe o que ele realmente fez por mim? Ele acreditou. Eu era tão obssecada com a minha carreira desde que me entendo por gente. Eu me lembro que na sétima série, cada um de nós tínhamos que falar o que queríamos ser. Eu estava um monstro na época - eu tinha raspado as minhas sobrancelhas por aciedente, meu cabelo estava laranja e eu tinha três camisetas que eu fazia um rodízio; não era uma boa aparência e não era engraçado. Mas quando me perguntaram: “O que você quer ser?” Eu disse: “Quero ser cantora e atriz.” Ainda riem de mim por causa dessa última, mas eu sei que “Fé é a expectativa com certeza sobre o que se deseja, a evidência de coisas ainda não vistas”. Eu sempre tive tanta fé que acredito que isso seja um dom de Deus. E minha mãe acreditava também: Antes de eu nascer, ela colocou o meu nome de Mariah Carey, porque ela achou que seria ótimo nome artístico.

IS: A fé sempre foi importante para você?
MC: Não sou religiosa, mas sou muito espiritualizada e tenho uma enorme quantidade de fé - acredito em Deus, acredito em Jesus, acredito que a fé realmente funciona. Existe outra passagem na Bíblia de que realmente gosto e é mais ou menos assim: “se você tem fé do tamanho de uma semente de mostarda - você pode dizer para uma montanha, ‘Mova-se daqui para lá’, e ela se moverá”. Eu a citei em Charmbracelet [2002], que não foi considerado um grande sucesso, porque vendeu apenas 3 milhões de cópias no mundo inteiro. Esse foi o meu primeiro álbum pela Universal depois que saí da Virgin.

IS: Quantos álbuns você fez pela Virgin?
MC: Apenas a trilha sonora de Glitter [2001], que tecnicamente não é um álbum.

IS: Glitter foi o filme e a trilha sonora que foram lançados quando tudo implodiu para você e você teve o famoso “colapso nervoso”. Claramente, as razões para isso foram muitas e já foram ditas muitas vezes. Sem contar o fato de que a trilha sonora foi lançada no dia 11 de Setembro de 2001 e o filme apenas alguns dias depois. Olhando para trás agora, como você vê aquela época?
MC: Eu acho que tiveram filmes piores que não foram tratados como lixo. Glitter foi até mesmo a piada no Oscar daquele ano - muitas coisas deram errado em 2001 e as pessoas não podiam fazer piada sobre isso… mas sabe, quando escuto a trilha sonora, penso que algumas dessas são [entre outras] minhas melhores músicas e performances vocais de todas. Eu considero “o colapso” uma superação - eu precisava chegar ao fundo do poço e isso aconteceu. Eu precisava entender o custo de forçar tanto, de lutar tanto contra o sistema. Você não pode vencer o sistema quando ele está contra você e isso é forte… Mas eu estava fora de controle naquele momento? Sim. Acredito que aquilo aconteceu por uma razão. Acredito que aconteceu por uma razão porque The Emancipation of Mimi foi um presente. O que quero dizer é que depois que a Virgin me “dispensou” [a companhia pagou a Carey, segundo a imprensa, algo em torno de $30 milhões pela recisão de seu contrato], o que na verdade foi um acordo mútuo, Doug Morris [CEO da Universal] venho ao meu apartamento e disse: “Vamos começar”. Ele viu o que aconteceu apenas como um pequeno acidente na minha carreira e tratou como tal. Esse homem é uma das melhores pessoas que conheço e tudo o que posso dizer é que sou muito grata a ele. E quando L.A. Reid chegou à posição de CEO na Def Jam [uma subsidiária da Universal], fiquei muito feliz. L.A. Reid e eu sentamos nessa sala e trabalhamos naquele disco juntos. Esse homem produziu alguns dos melhores discos R&B de todos os tempos e eu queria trabalhar com ele há anos. Então eu adoro o fato de trabalhar com ele agora.

IS: E foi muito dramático porque você foi contra essa enorme entidade corporativa.
MC: E ninguém faz isso - apenas um ou outro! Porque depois que saí da Sony, eu tive ir contra a Virgin, outra entidade corporativa. Quando assinei aquele contrato, pensei que seria algo que teria para o resto da minha vida. Quero dizer que não foi algo do tipo , “Ó pobre de mim, eu só recebi blá-blá-blá milhões de dólares”. Para mim, um contrato deveria ser algo sólido. Você não pode apenas chegar e dizer “Oh, nós não gostamos da forma como ficou”. Acabou virando essa coisas onde todo mundo tinha uma opnião sobre que tipo de disco eu deveria fazer. Na verdade, o que eu precisava fazer era um disco R&B com raízes na música que eu amo.

IS: Depois que tudo isso ficou para trás, você ficou chocada com o quão bem The Emancipation se saiu?
MC: Eu fiquei muito grata, mas não chocada. Todos esses pequenos pedacinhos de alegria continaram surgindo no meu caminho. Eu estava dizendo para alguém recentemente que assisto a Rede de Oração ao Senhor - eu a deixo ligada no meu banheiro - porque às vezes há algumas pessoas muito inteligentes lá, falando. E um pessoa lá estava falando sobre tempestades e como, quando você está preparado para a tempestade, você se sai muito melhor. Existem muitas tempestades diferentes que sinto que tive que enfrentar durante a minha vida e cada uma delas me preparou para a próxima. Desde mesmo a infância.

IS: Agora para o próximo álbum. Ele está agendado para ser lançado no final desse ano, certo?
MC: Sim; mas não vai aparecer enquanto não estiver terminado.
IS: Você queria fazer um novo disco?
MC: Sim. estou muito envolvida nesse projeto.

IS: Dê-nos uma pequena prévia. O que você pode nos dizer sobre a nova música?
MC: É um disco divertido - tem sido minha obsessão. Olhe, para mim, ser capaz de fazer o que amo para viver é um presente de Deus. Eu poderia estar fazendo algo que odeio todo o dia. Sim, às vezes, é difícil, porque tenho que dormir 15 horas para cantar da forma que quero. Não é fácil, porque as minhas cordas vocais são diferentes das, da maioria das pessoas. Mas tirando isso, esse álbum tem sido muito divertido, porque estou compondo com muitas pessoas diferentes, principalmente muitos rappers, e eu proponho uma idéia que eles não imaginariam e vice-versa.

IS: Sei que você está trabalhando novamente com Jermaine Dupri. E quem mais?
MC: Swiss Beats e eu trabalhamos juntos. Ele era muito jovem quando o conheci e agora ele tem todos esses Warhols [obras de Andy Warhol, ícone americano da arte pop] - eu penso: “Esse camarada é rico!” Ele é ótimo. Estou muito contente com as músicas que fizemos juntos.

IS: Seu amor pelo rap foi um amor secreto no passado.
MC: Sim. As pessoas pensam só comecei a experimentar com hip-hop e trabalhar com rappers com fiz o álbum Butterfly [1997] e que aí comecei a trabalhar com quem quer que elas me vissem nas festas, seja Q-Tip ou Puffy ou quem seja, mas elas não imaginam que eu já era fã do hip-hop e sempre usei loops do hip-hop - eu tinha que esconder isso quando era casada e estava no sistema. As massas não gostavam de hip-hop, mas desde que eu me lembro, gosto de rap - por exemplo, Sugarhill Gang foi um dos primeiros discos que comprei e também Grandmaster Flash. Eu cresci com o hip-hop.

IS: Existe um tema geral para o seu novo álbum?
MC: Eu estava na banheira outra noite tocando algumas músicas para algumas amigas e uma delas sentiu que era uma coisa muito pró-mulher. E eu disse: “Sabe que eu não foi intencionalmente”. Não que as músicas sejam contras os homens, mas ele sentiu que era um momento de fortalecimento da mulher. Eu adoro poder tocar coisas para as pessoas que podem ouvir algo ainda crú. Quando estou tocando algo para alguém da gravadora, preciso aperfeiçoar um pouco mais.

IS: Eu sei que muitas vezes você começa a trabalhar por volta de meia-noite. Você gosta de trabalhar à noite porque você se sente distante do mundo e você pode então trabalhar? A propósito, são 5:30 da manhã agora. [ambas riem]
MC: À noite as pessoas não estão gritando ou falando e você tem que lidar com coisas como o contador ligando e o advogado ligando e isso e aquilo. Só uma vez eu queria que outra pessoa lidasse com isso, alguém que não tenha outras coisas para fazer e eu sinto que estou chegando a um ponto onde talvez eu tenha alguém que fará isso para mim.

IS: Então aqui estão algumas últimas perguntas: Se você pudesse cantar qualquer livro em uma fita, qual seria o livre que você escolheria cantar?
MC: Bem, James Earl Jones fez uma leitura do Novo Testamento que eu escuto às vezes e que eu leio junto, porque tenho estudado essa Bíblia do Estudante há algum tempo. Eu tento ler um capítulo toda noite, embora às vezes eu não consiga. Já estou quase terminando, mas é ótima a forma como eles a organizaram. Você não lê a Bíblia inteira, do início ao fim. Você lê sobre ela. Você a entende. Eu gostaria de fazer algo assim, só que cantando. A Bíblia do Estudante te questiona sobre questões da vida - por que você pensa que isso é assim? O que você que é mais sobre você mesmo? Então eu gostaria de cantar isso.

IS: E se seus dois casais de avós entrassem nessa sala agora, o que você diria a eles?
MC: Eles estariam aqui ao mesmo tempo?
IS: Não, eles entrariam um de cada vez.
MC: Porque não posso imaginar a mãe da minha mãe e a mãe do meu pai em uma sala ao mesmo tempo. [risos] Eu com certeza agradeceria à mãe da minha mãe - perdão é uma coisa muito importante nessa vida.

IS: E o que você diria ao pai dela?
MC: Ele faleceu antes de eu nascer, mas eu o agradeço, porque sei que ele tinha muita musicalidade.
IS: E a mãe do seu pai?
MC: Eu diria: “Obrigada pelas respostas grosseiras”, embora às vezes ela fosse realmente rude e cruelmente honesta - “cruel” sendo a palavra chave - eu a agradeceria, porque ela é uma figura que se tornou parte de mim. Ela me permite me compreender e me relacionar melhor comigo mesma.

IS: E para o pai dele?
MC: Eu diria a ele que eu realmente o amava e o quanto eu gostei dos momentos quando eu ia para casa dele na Ação de Graças e passava o tempo com meus primos, tios, tias, todos desse lado da família. Eu adorava muito ir à casa do meu avô e ainda vou quando visito minha vó [Ruby], que é a segunda esposa dele. Eu realmente tinha um relacionamento muito especial com o meu avô. Eu o amava muito.

IS: Ele viu você cantar?
MC: Sim. Ele esteve no meu casamento. Eu estava usando aquele vestido com aquele trem atrás com mais de oito metros.
IS: E você não quer dizer uma locomotiva?
MC: Não, embora também pudesse ter sido.

Comentários
  • Camila:em 26/dezembro/2007, às 3:19 pm

    Ótima entrevista. Se você sentar e ler a reportagem com bastante calma e bem concentrado, poderá perceber a docura e a “essência” da Mariah.

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I'll Be Lovin' U Long Time "I'll Be Lovin' U Long Time" é o terceiro single do disco "e=MC²". A faixa foi produzida por Mariah em parceria com Aldrin "DJ Toomp" Davis. Billboard Hot 100 Singles#75 Veja o Vídeo
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